quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Da gentil arte de engatinhar para fora das sombras

Apenas para cortar os péssimos e carregados fluidos da confissão logo aqui embaixo. Sabe como é, coisa de libriano com humor de montanha russa se recompondo paulatina e eficazmente.

sábado, 10 de novembro de 2007

Carpe dying

Chegou em casa lá pelas tantas e se sentiu Deus pela décima nona vez naquela madrugada. Porém, gingava como um autêntico exu, exalando fumaça de charuto barato e o odor da mais vagabunda cana, o incenso e mirra que dois dos reis magos dariam ao autêntico Macunaíma que ele era. Sim, apenas dois, pois o terceiro tinha absoluta certeza de que este rapaz não valia a sola de sapato que fosse, quanto mais qualquer grama de ouro. Mesmo assim, a excêntrica criatura adentrou a porta da sala e dançou um apaixonado tango com cada móvel que cruzou seu caminho.

As luzes de cada cômodo estavam todas queimadas, desde que arrebentada estava sua alma pela solidão. Não sei se vocês têm conhecimento, mas esta não é um sentimento, e sim um espectro trajando capa e capuz preto, além de portar uma foice de cabo longo, torto e enegrecido pelo sangue alheio. Ele não era mais uma criança, sabia disso tudo, aliás, sempre soubera tudo que precisava. É claro que isso torna seu caminho mais tortuoso, pois mesmo possuindo o conhecimento do necessário, o ignora solenemente, em nome dos sonhos que tanto tardam a se realizar. E essa foi sua derradeira imagem na hora neutra desta madrugada: um verdadeiro pé de valsa que não deu sossego a nenhum objeto de cama, mesa e banho até chegar ao seu caixão forrado com os lençóis de duas semanas atrás.

O dia seguinte foi mais uma nota preparatória do desfecho em tom menor que tanto se alongava. Escreveu três cartas para três diferentes e queridos amigos. Três pequenos fragmentos de um ser despedaçado, como uma tentativa de recompor aquilo que um dia já chamou de si próprio. Três pulsantes cortes de um coração errante e errado, espatifado na queda que até então tomara por ascensão. Cada uma de suas furtivas fraturas vivendo o seu de repente não mais que de repente e lamentando a ligação intransponível com seu poeta favorito.

Tudo estava escuro, tudo estava confuso. O respirar de cada dia passou a ser feito em uma densa neblina, na verdade um véu resultante da água e do sal que se condensavam em seus olhos. Tantos hábitos, tanta surpresa. Tanta espontaneidade, tanta urgência. Tanta ânsia. Elementos que se degladiavam na bagagem de ilusões que ele descobriu que carregara só, tão somente só. E depois dessa confusão toda que se armou, ele pode vir a ser uma nota obituária, uma manchete heróica. Um presidente da república, um gerente da boca. Um pastor evangélico, um apontador de bicho. Um suicida, um santo. Isso fica a critério de cada um de vocês, pois ele mesmo acabou de descobrir que não controla para onde será direcionado o turbilhão de emoções do próximo. Assim como ninguém fará com o dele. Muito menos eu.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Duas almas em dois momentos pessoais

Observou-a à distância, pela vitrine da loja. É claro que chovia, seria uma incoerência se São Pedro não despejasse sobre a calçada de pedras portuguesas sua insatisfação pela existência daquela distância entre estes dois, fruto de teimosia travestida de maturidade. Observou-a mais um pouco, como quem corta os pulsos lentamente, e pensou que a maior dor de um homem é amar a quem não se pode ter. Permaneceu do lado de fora, estático, como uma imagem secundária, um espectro tendendo ao desaparecimento. Logo ele, que já tinha desempenhado um papel tão central na vida dela, agora não passava de uma presença etérea. Sombra, distância e esquecimento. Paradas de um cortejo fúnebre rumo à solidão que ele nunca mais imaginara habitar novamente. Pelo menos não causada por ela. E seu coração cansado já não tinha mais forças para bombear sangue para o resto de um corpo condenado à inércia de uma tarde chuvosa de novembro.

Observou-o à distância, de rabo de olho, assim que ele se postou na calçada próxima à vitrine. Não conteve o riso, pois só ele mesmo acharia que não seria notado, assim, uma estátua cujo céu se encarregava de colocar lágrimas de chuva em sua face. Ela sabia que ele a devia estar achando linda, mesmo com os cabelos negros e lisos alinhados ao rosto molhado pela chuva, e com aquela capa velha que se revelara totalmente inútil na prevenção a resfriados futuros. Só ele mesmo para pensar uma sandice dessas. Pelo visto, ainda teria muito a lhe ensinar sobre seu jeito todo especial, que ele mesmo vive a repetir que tanto lhe encanta. Ela gostaria de lhe dizer qual seria o fim dessa história, mas não tinha todas as respostas, nem todas as certezas, apenas todos os seus impulsos. E estes sempre remetiam a ele no final, seja via pensamento, seja via toques de lábio e pele. E esse homem tão bobo e tão menino não conseguia compreender essa diferente maneira de gostar, e por isso estava se arriscando a uma tuberculose tão à toa. Apenas para formar em sua mente uma cena de despedida digna de um Campanella, só tida como certa pelo seu ego tão dramático. Deus, que alma teatral! Não saberemos se ele gostará do presente que ela acabou de pedir para embrulhar, nem se ela se tornará menos confusa, e ele menos teatral. Mas, certamente, será adorável acompanhar de longe cada passo dessas fascinantes almas, torcendo para que desistam dessa tolice de magoar um ao outro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sempre chove no dia 2

Preparem o guarda-chuva, meninos e meninas. Em tempos bíblicos, construíam-se barcas para a fauna selvagem. Em tempos cariocas, Noé espreita postes vendendo guarda-chuvas de quinta por duas de cinco da moeda corrente, enquanto enrabicha olhares de preocupação para a fauna selvagem que faz o rapa. Preparem o guarda-chuva, senhoras e senhores, pois nestes tempos caiu como um raio um bobo sem corte, sujando de essência libriana o asfalto de Botafogo em pleno dia de anjo da guarda, vejam só. Em feriado de guardiões querubins e serafins, nascem os deslocados de alma. Assim, sem certificado de garantia e discernimento. Assim, só com uma mania muito grande de sentir o tempo inteiro, sobre e apesar de tudo.

Preparem o guarda-chuva, rufiões e meretrizes, a meia-noite será de festa com sorrisos de tragédia, e suas ânsias farão uma procissão com longos de gala à base das estrelas que cairão na terra fugindo do pé d’água furioso que está para descer.

Prepare o guarda-chuva, meu amor de olhos verdes, pois quero ver-te em sorrisos que me apaixonam e esquecer nos teus braços que é dia de anjo da guarda, onde o sonhado mais estranho pode espatifar-se em asfaltos de descida em qualquer Humaitá-Botafogo, e sem nem ter idade para beber no Plebeu.

Preparem o guarda-chuva do senhor de olhos azuis e da senhora que declama incessantes receitas em verso, eles mereciam coisa melhor, mas há anos tem que se contentar com aquilo que choveu para eles.

Preparem o guarda-chuva, pois as estrelas convivas mergulham em rajadas d’água, como festa de criança em que a mãe lua, gorda e elegantemente trajada, deixa-se para trás rogando por juízo e pelo garçon cujos benditos docinhos ele já não traz.

Preparem, coloquem nas bolsas e mochilas, importem, mandem fabricar, mas olhem pelos seus guarda-chuvas, pois o tempo começou a virar, e a meia-noite promete. Promessa de chuva lavando a solidão.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Dois de outubro

Três horas da manhã. Acordo como se nunca tivesse dormido. Em toda minha vida. Meus olhos rodeados pela escuridão, como soldados abrigados em uma trincheira fria. O processo por eles vivenciado de se acostumar à realidade ao seu redor é lento, como um longo conselho de um advogado para seu cliente assassino e reincidente. Mas eles se familiarizam com a escuridão, como um recém-nascido tateando útero a fora. Não preciso apelar ao abajur para ver minha insônia sentada à minha cadeira de trabalho com um sorriso tenro. Minha mais antiga companheira. Tomara que ela não tenha entrado no meu orkut. Dias estranhos, sempre antecedendo a comemoração do meu nascimento. Maldita praxe, um dia ainda trabalho isso com meu analista, assim que arranjar um. Minha ironia ao acordar é apenas o instinto de defesa de um animal desorientado, assustado. Transmutar-se em melancolia é sua dança natural, harmonizada em tom menor e com passos imprecisos, hesitantes como órfãos aprendendo a andar sem ter a quem guiá-los. Tudo que preciso é de um copo d’água, pois o restante está distante demais para a solidão de um quarto frio. Como odeio aniversários.

Entre o quarto e a cozinha, a sala a qual devo atravessar. Os mesmo móveis velhos, guardiões das histórias, olhares e palavras certas nunca encaixadas nas despedidas para as quais foram geridas. Tudo que eu tanto gostaria de esquecer. Sabores amargos materializados em madeira, alumínio e vidro. No velho par de sofás sentam-se confortavelmente meus demônios e fantasmas interiores, portadores de olhares de julgamento e desviar de rostos movidos a desdém. Corpos dando forma aos anseios que eu releguei a terceiros e quartos planos do meu inconsciente. Tantos anos de solidão não lhes fizeram nada bem. Um deles me fascina mais. O menino que tem vergonha do homem que se tornará um dia. Somente os segundos antes de eu fechar os olhos pela derradeira vez me possibilitarão adjetivar a sensação que arrepia minha espinha quando nossas retinas se desafiam. Dia do anjo da guarda o caralho. Melancolia, passos pesados e noites frias, minhas únicas certezas de presente por mais um ano.

Sede saciada, o menino que tem vergonha do homem que se tornará um dia me carrega pelas mãos, suas roupas mudam a cada porta retrato deixado para trás. A camisa azul do uniforme do primeiro colégio, a blusa amarela e o short azul da seleção de 86. Os sapatos do pai, enormes como o mundo que ele um dia sonharia conquistar. Pesados como a tristeza que lhe abate em agosto e o liberta em outubro. A cada troca de farda, ou fardo, seus olhos de menino se tornam um pouco mais frios. Ele só precisa dormir mais um pouco. Como a alma que ama em silêncio e sem saber ser correspondida necessita apenas da frase que ela não sabe se ouvirá de volta algum dia (Deus, como isso angustia). Ele só tem que dormir mais um pouco. Até o fim do mundo como ele conhece, para que finalmente se inicie o mundo como ele deseja. Talvez ele consiga dormir mais um pouco. Sorrindo com a resplandecência de um anjo, em cada cova irradiando a liberdade de um pecador sem culpas. Não tenho vergonha dele, pois sei que conseguirá dormir mais um pouco, antes até de ouvir meu boa noite. Desculpem a amolação, mas eu realmente odeio aniversários.

sábado, 8 de setembro de 2007

Em homenagem a quem teve que passar pela Praia de Botafogo no dia 7 de setembro de 2007

Deus é amor mas não é guarda de trânsito!!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Crônicas Ferdinandas

Bela e triste história de meu nobilíssimo colaborador Ferdinando. Não desistam, meus e outros caros, a vida nos surpreende de forma bela em qualquer esquina em que pisamos (como vc me mostrou, minha linda ;) )

Você chegou inesperadamente. Sua beleza me conquistou desde o primeiro dia no escritório. Corpo escultural, sorriso encantador, olhar penetrante. Claro que não me tornei um admirador solitário. Você era desejada por todos os colegas de trabalho. Não me importava. Eu tinha pressa em ir trabalhar, só para passar o dia perto de você. Trabalhar ao seu lado... Eu me achava o homem mais feliz do mundo.
Depois você ficou sabendo do meu estado emocional naquela época. Tinha sido abandonado pela minha ex-noiva, a única mulher que até então eu realmente amara. Jurei que não me apaixonaria por mais ninguém, até te conhecer. Descobri de novo a paixão, que depois de um tempo tive a certeza de ser amor. Estava amando novamente. Minha tristeza virou alegria, o que parecia impossível – amar – acontecia de novo. Eu precisava chegar em você, investir neste amor. Busquei sua amizade, você aceitou. Almoços, lanches, conversas, cochichos nas reuniões. Junto de você, eu me sentia no céu, iluminado pela minha deusa.
Dizem que todo apaixonado deve ter em mente que é um erro pretender a amizade da mulher quando o que se quer não é ser amigo dela. Foi aí que errei. A amizade cresceu tanto que o momento de assumir o meu amor era eternamente adiado. Esperei você me falar do seu namorado de fora da empresa para eu pensar se valia a pena me declarar para você. É claro que valia, mas me corroí de ciúmes por causa disso. Imaginava você junto dele, indo ao cinema, passeando no shopping, o beijando na boca, o abraçando, transando com ele. Tinha medo de você me comparar com ele. Isso diminuiu minha audácia de tentar transformar a amizade em amor.
Um dia, porém, tive a audácia. Eu me declarei, disse para você tudo que estava entalado há meses. Pouco me importei se você estava comprometida ou não. A recompensa pela minha coragem superou todos os meus medos. Nós ficamos. Você me beijou. Nem pensei em sexo, não precisava. Eu queria o seu amor, sua boca colada à minha, sua mão me acariciando, você sorrindo a cada vez que eu dizia: “te amo”. Voltei para casa cantando o início de uma nova relação, que nunca começou. No dia seguinte, sua indiferença era aterradora. Fiquei indignado. Chamei você para conversar. Você disse que seu namoro continuava de pé, que “ontem foi um momento de fraqueza”. “Desculpe, mas se você é meu amigo, deve entender as minhas razões”, foi sua sentença final. Pronto, eu era seu amigo. Fui ao céu, desci direto para o inferno.
Sou uma pessoa civilizada, você sabe disso. Mantive nossa amizade, não te destratei por causa da minha frustração. Mas não deixei de amá-la, de pensar em você todas as noites, de lembrar diariamente do gosto do nosso beijo, de morrer de vontade de voltar no tempo. Aí, você começou a flertar com ele. Justo ele, o meu melhor amigo. Vocês davam sinais de que não estavam apenas na paquera. Percebia pelas suas conversas que vocês se falavam sempre pelo telefone. Eu ligava para sua casa e não te encontrava lá, ligava para seu celular e você não atendia. Vocês se entreolhavam sorrindo no escritório, iam juntos para o corredor, almoçavam juntos, saíam em horários diferentes para despistar... Tive, na dúvida, a certeza de que vocês estavam saindo.
O dia em que o pouco de incerteza acabou foi na festa de fim de ano da empresa. Você chegou linda, junto dele. Sua felicidade estampada no rosto, a onipresença dele ao seu lado, tudo em você parecia uma provocação para mim. Tentei minha última cartada. Chamei você para dançar. Você aceitou. Eu te disse que não parava de pensar em você, que continuava a te amar. Você respondeu que estava em outra. Perguntei com quem. Você não respondeu. Ele te puxou para dançar. Vocês nem olharam para minha cara. Fui até a varanda para observá-los. Vocês se beijaram apaixonadamente. Meus olhos, fixos em vocês, estavam marejados, raivosos, frustrados, ciumentos. Eu me escondi atrás de uma árvore na calçada. Vi vocês saírem juntos. Para onde? Eu sabia para onde. Fazer o que? Eu sabia o que. Meu mundo caiu. A mulher que amo. Meu melhor amigo. Peguei um táxi e fui para casa chorar em cima do confidente dos amantes não-correspondidos: a cama de solteiro.
Caí em depressão. Pedi uma semana de licença do trabalho. Não conseguia comer, beber, tomar banho. Depois da licença, tive que voltar. Claro, vocês não namoravam dentro do escritório. Mas era só entrar no elevador que começavam. Beijos, declarações mútuas, olhares que brilhavam ao se cruzarem, tudo na minha cara. Meu rosto escondia minha alma. Sorria para não chorar e passar vergonha por causa do meu ciúme. Sorria com os olhos encharcados de lágrimas de dor.
Até o dia em que vocês convidaram todo mundo no escritório para o noivado. Era demais. Convidaram até a mim. Não, não conseguiria. Demito-me ou cometo suicídio, pensei. Por muito pouco não dei fim à minha própria vida. Só não o fiz porque já não achava que você merecia tanto. Mas eu não iria agüentar nem mais um minuto na sua presença, noiva, apaixonada (como disse) e prestes a se casar com outro homem. Eu me demiti, jurei nunca mais vê-la, nem a ele. Chorei muito, de novo, por causa de você, cadáver do meu coração, que achei que nunca conseguiria enterrar.
Passou um tempo até eu conseguir outro emprego. Você se casou com ele, disseram que a cerimônia foi linda, você estava felicíssima, vocês se beijaram tão apaixonadamente na frente do padre que ele até ficou vermelho de vergonha. Não tive como não imaginar. A lua de mel de vocês. Outro homem possuindo o corpo que tanto desejei ser meu, para sempre. Para me vingar – vingança tola, como são todas as vinganças –, mergulhei no sexo. Paguei todas as prostitutas que pude, consumi todas elas. Também paquerei, fiquei, até levei algumas mulheres para a cama. Fiz a minha purgação. Uma delas gostou de mim, começamos a namorar.
O tempo passou. Trabalhei, noivei. Hoje, abro minha caixa de entrada e tem um e-mail seu. Pensei no que você ia querer de mim. O livro que você me emprestou e nunca devolvi? Convidar para o seu aniversário de casamento? Anunciar o nascimento de seu primeiro filho? Você já tinha me feito sofrer demais com dúvidas. Abri para ver o que era. Eram lamentações. Ele foi carinhoso só no começo. Depois, se revelou um machista, grosso, preguiçoso, mal-educado. Suportou isso enquanto pôde, até que ele começou a bater em você. Diz que agüentou alguns meses. Em nome do amor, decidiu esperar que ele mudasse. Não mudou. Você voltou para a casa dos pais, pediu o divórcio, o caso está na Justiça. Diz que agora está arrependida do que fez comigo. Que não sabe como desperdiçou tanto amor. Que se pudesse voltar no tempo jamais teria me dito “não”. Que não mandava em seu coração, que na época só pensava nele, só queria saber dele, “alto, bonito, inteligente, divertido, forte...” Você quer se encontrar comigo. Pede reconciliação.
Você não tem noção do que fez comigo. Melhor seria se você nunca tivesse me beijado. Você não tem culpa de eu ter me apaixonado por você nem era obrigada a corresponder, mas você me provocou. Você me deu falsa esperança. Você deixou que eu mergulhasse no oceano da ilusão. Você transformou meu melhor amigo em meu maior rival. Por sua causa, mudei de serviço. Agora, depois de tanto esforço para reconstruir minha vida, quando achava que você já era página virada, você aparece. E a coerência com suas escolhas? Você irá me responder: no coração não existe lógica. Eu sei. Se eu fosse lógico, não teria me apaixonado nunca por você. Posso até estar errado, mas é o que diz meu coração. E no meu coração eu também não mando.